segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Invento

Vou voando,

Esculpindo montanhas,

Cortando o céu-azul.

Rasgando, zumbindo, estranhas de véu, do sul



Ao norte.

Vou forte, vou fraco,

Levo as, leves e passageiras,

nuas nuvens

que enchem pessoas de sonho.



Entro e saio do peito

Saio em grito, em voz que soa medonho.


Saio macio... suave.

Carrego muita aeronave.

Navego, também, no mar.





Sopro na vela que leva.

Sopro na vela que vela.

Trago o perfume daquela,

Da moça bela,

Bailando.



Sou ar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Fome

Como "e", de "eca",
Coma cara ruim.

Como mel, de meleca,
Coma mal de mim.

Como como, coma.
Como na cama.

Come on, karma.
Come on, coma de cana.

Ouço
Com ouvido.

Comovido,
Como vidro.



Caminha,
sempre há em ti, casa; nunca ninho.
Sozinha,
sempre, a quente brasa, num caminho.

Falar de flor
sem falar de espinho.

É falar de amor sozinho.


(rascunhos)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sonhos Reais

Sinta a radiação
Vindo do sistema solar.
Ouça o seu som,
Deixe-o falar.

Coisas novas virão,
Apure seu paladar.
Terás nova visão
De céu, de chão e de ar.

O calor, a proteção.
O som livre para não soar.
O frio, que há no vão,
O silêncio a te gritar.

Solte o corpo no espaço,
Siga o tom e seu compasso
E, se possuis dom,
Encha seus peitos de aço.

Sinta a energia a te consumir,
Deixe-se acolher pela paz.
Será assim como dormir,
E acordar em sonhos reais.

Verás o quão insignificante
És, nesse instante.
Perceberás que a alma, sim, é relevante.

Eternamente.

Nuit

Acendi um cigarro na varanda
para ver como o tempo anda.
O sol, dourado, saiu de banda.
A lua, prateada, é quem manda.

Vi, no céu, uma janela,
um buraco, sentinela,
uma estrela, paralela

ao universo em expansão.
Assim como minha visão,
tudo está em construção,
até mesmo o espaço, vão.

Num céu negro, pontilhado de branco,
a noite veio, fria, cheia de encanto.
Tão grande e plena, chega a causar espanto.

Boa noite,
noite escura,
mas, linda no entanto.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Para os Com Fusos

Trago planos
de outro plano.
Onde não dominam os humanos.


Os quadrados estão confusos,
insistem em contar parafusos.
Pararam no tempo,
não há horários, nem fusos.


A máquina, aparentemente,
está no, passado, presente.
No consciente do subconsciente.

Acredite, está tudo na sua mente.
Viva o seu sonho, eternamente.
Siga em mutação, constantemente.

Na minha cabeça, não falta parafuso.
Se você não me entende, não sou eu quem está confuso.

Robôs foram postos em prioridade.
Roubos, caóticos, de alma e identidade.
Há venda, irracional, de racionalidade
e venda nos olhos de quem via a verdade.

A comunicação é pouca,
arrancaram as línguas, de toda boca.
Não se pode andar sem roupa.
Se não se tem dinheiro, se anda rota.

Os ouvidos, cheios de cera,
não ouvem as serras
que cortam suas pernas
e derrubam suas serras.

Com os dedos amputados,
não se sente mais.
O sentimento, estagnado,
é de falsa paz.


Acredite, no que vê.
Se não crês, ao menos tente.
Acredite em vida extra inteligente,
No meio da gente.